O Ministério Público do Rio Grande do Norte abriu ontem, 13 de abril, uma investigação oficial para apurar as contratações realizadas pela Prefeitura Municipal de Itaú entre janeiro e março de 2026. O procedimento, registrado sob o número 02.23.2051.0000065/2026-71, está nas mãos da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Apodi.
O foco da investigação é entender por que a prefeitura aumentou significativamente o número de contratados justamente nos meses que antecedem a eleição suplementar marcada para o dia 17 de maio.
O timing chama atenção. Enquanto a cidade se prepara para uma nova eleição — resultado da cassação do prefeito eleito em outubro do ano passado — os dados oficiais da folha de pagamento do município mostram que o número de contratados temporários saltou de 157 em janeiro para 237 em março. São 80 novos contratos em apenas dois meses, levando o quadro ao maior patamar já registrado na história recente do município.
Nas ruas de Itaú, o assunto já roda há semanas. Grupos de WhatsApp, conversas de calçada, comentários depois da missa: todo mundo fala a mesma coisa. Teria a prefeitura usado contratos de emprego para garantir votos?
Agora a pergunta saiu dos bastidores e entrou oficialmente na mesa da Promotoria.
A eleição suplementar foi convocada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte após a cassação do mandato do prefeito. Com o pleito marcado para maio, qualquer indício de uso da máquina pública para influenciar o resultado tem peso redobrado — e pode, se confirmado, resultar em cassação de registro de candidatura.
A investigação está em fase inicial. A Promotoria ainda não se manifestou publicamente sobre os próximos passos, mas a instauração do procedimento já é, por si só, um sinal de que as suspeitas têm base suficiente para apuração formal.
Itaú vai às urnas em 33 dias. O MP já está de olho.

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